terça-feira, 17 de setembro de 2013

LIVRO DO DESASSOSSEGO


Fernando Pessoa amplifica os efeitos do imaginário e do paradoxo, do dizer uma coisa que sugere ou significa outra. Na autobiografia sem fatos a “máscara” é Bernardo Soares. O semi-heterônimo e semi-ortônimo de Pessoa é apresentado como um guarda- livros da cidade de Lisboa.
       À luz de Dostoiévski, Fernando Pessoa se auto - fragmenta e seleciona Bernardo Soares como transmissor desse sentimento desassossegante. Sua obra filosófica reflete o enigma que é sua alma e suas reflexões surpreendentes, que são insuportavelmente além da originalidade e aquém de uma postura puramente poética.
Após exames textuais descobriu-se que Bernardo Soares, o narrador principal, mas não excluso do “Livro do Desassossego” era próximo de Pessoa; muitas de suas reflexões, principalmente as existenciais de Soares fariam parte da autobiografia de Pessoa. A obra magistral de Fernando Pessoa, o “Livro do Dessassossego” dialoga com inúmeros outros textos de Fernando Pessoa e outros ilustres autores como Cesário Verde, Homero, Mallarmé, Salomão, Victor Hugo, sem deixar de mencionar os seus heterônimos Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis.
A máscara semi-heteronímica de Pessoa, Bernardo Soares foi sua aposta (uma maravilhosa e desassossegante aposta). Além de assumir o controle do Livro do Desassossego, Soares quase se apoderou de uma importante fase poética de Pessoa – ele mesmo. Bernardo Soares como os outros Pessoa sofre da solidão de um ego ausente, de um desassossego, um significante formalmente desassossegado.

Bibliografia:
CAVALCANTI FILHO, José Paulo. Fernando Pessoa: Uma quase autobiografia / José Paulo Cavalcanti Filho. Rio de Janeiro: Record, 2011.

PERRONE- MOISÉS, Leyla. Fernando Pessoa: aquém do eu, além do outro/ Leyla Perrone – Moisés. – 3ª ed. ver. e ampl. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

PESSOA, FERNANDO. Livro do desassossego: composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. Organização Richard Zenith. 3ª ed- São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

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